Mia Mia - Acordos de convivência em grupo

 

O QUE É?

Mia Mia é uma palavra aborígene oriunda do povo Nyungar do Oeste da Austrália. Mia Mia significa um abrigo temporário feito de ramos e folhas da árvore de chá que eram dobrados em semi-círculo e colados com ervas ou tendões da cauda de canguru. Estas estruturas temporárias eram criadas   para abrigar as famílias quando faziam jornadas longas e necessitavam de descansar ou abrigar-se do frio e da chuva.

Figura 1. Estrutura de um Mia Mia

No contexto de equipas e projectos percebemos que a comunicação e os acordos de convivência são essenciais para a criação de equipas resilientes, colaborativas e que crescem juntas. Conhecer cedo os valores de cada membro, a sua visão de mundo, os seus limites e o seu estilo de comunicação ajuda a equipa a criar um ambiente fértil e de comunicação autêntica.

Nos grupos que acompanho observo que estas premissas são entendidas e aceites pelo grupo no âmbito cognitivo: “faz sentido” como me costumam dizer. O desafio aumenta quando tentamos passar para uma prática diária de projecto e convivência. Criar este abrigo de escuta e entendimento permite à equipa navegar o caos de forma segura, dançar com os dragões do ego, do poder sobre e, respeitar a diversidade presente no grupo. 

 

PORQUÊ?

 

No contexto da metodologia Dragon Dreaming, verificamos que estes acordos são importantes para o fluxo de energia, sabedoria e conexão em todas as fases do projecto: Sonhar, Planear, Realizar e Celebrar. Ganha particular importância na transição do quadrante Sonhar – quando emerge um sonho comum e a motivação do grupo estão bastante presentes – para o quadrante Planear – quando vivemos um momento mais linear, onde a energia e a comunicação diminuem. Mia Mia nesta fase significa os acordos necessários para que todos os membros possam usufruir desta morada temporária, neste caso o nosso projecto, de modo autêntico. 

 

Quando  reconhecemos os  padrões de comunicação que são destrutivos para a nossa comunidade ou grupo, podemos substitui-los por acordos conscientes e por novas formas que sustentam a vida.Assim contribuímos para a segurança e confiança entre todos. Mia Mia funciona como um processo de alinhamento de intenções que reforçam como queremos conviver juntos e reconhece que cada um é um elemento importante para a concretização do sonho.

 

“As pessoas não se precisam, elas se completam. Não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias, tristezas e principalmente por continuar escrevendo em conjunto, suas vidas”. 

Citado por Fábio Brotto

 

 As nossas intenções têm uma consequência, dão-nos o poder de impactar o nosso futuro e o ambiente das nossas equipas. O alinhamento das nossas intenções cria um campo sinérgico[1]: permitindo que a inteligência coletiva produza resultados que vão além da inteligência do individuo. Há algo extraordinário que acontece quando dizemos  “Sim! Concordo!” Não só ao nível da palavra e do som, mas também ao nível das nossas células e dos neurónios do nosso cérebro. Há um despertar, um acender de luzes não só no cérebro de quem concorda mas também no cérebro de quem propõe a ideia.

 

Por vezes julgamos que estes acordos são desnecessários, que talvez sejam de senso comum, por isso não necessitamos de torná-los explicito. O que observamos no trabalho com grupos  é que as normas de grupo emergem quer sejam partilhadas abertamente ou não; quer os seus membros estejam conscientes ou inconscientes que as praticam.

Mia Mia cria esse alinhamento de intenções que traz clareza, nutre a confiança e reforça a colaboração e o ganha-ganha-ganha[2]. Neste abrigo existe a possibilidade de mostrarmos as nossas dificuldades, limites e necessidades. É nesse momento de vulnerabilidade e dúvida que nos conectamos com uma dimensão profundamente humana. O outro que arrisca corajosamente e se expõe, arrisca também a se conectar profundamente com o grupo.  É a descoberta da nossa interdependência humana e planetária. O que fazemos afecta todos da mesma forma que somos afectados pelos outros. 

 

É expectável que surjam desafios e pessoas com opiniões diferentes.Muitos grupos passam por desafios semelhantes: Identidade e sentimento de pertença, o equilíbrio entre objectivos e necessidades pessoais, questões relacionadas com poder e controle. 

Assim, o Mia Mia é um espaço onde criamos os acordos de convivência e respeito mútuo que promovem uma cultura de cuidado, confiança, responsabilidade e apreciação. É a celebração da nossa diversidade e da nossa unicidade. Um passo importante para criar o tom do projecto.

 

 

 

COMO FUNCIONA O PROCESSO?

 

Duração:  45 minutos 

Materiais: Post-its, canetas e folha de flip-chart ou um quadro.

Processo: Criam-se grupos de 4 ou mais participantes de acordo com o número de participantes do projecto. 

Uma vez que o Mia Mia acontece depois das equipas de sonho já estarem formadas, podemos usar como referência os 

membros da equipa de sonho.

Celebrar o projecto anterior: Damos 2 minutos para que cada pessoa se conecte com um projecto que tenha realizado recentemente e explore: Que comportamentos contribuiram para o sucesso do projecto, motivação e união do grupo?  Que comportamentos e atitudes bloquearam o sucesso do projecto e contribuiram para a desmotivação e divisão do grupo. Que Aha! tiveram sobre si próprios?

 

Distribuem-se 3 post-its a cada participante.

O facilitador faz uma pergunta geradora para todos os grupos:

Pergunta geradora: “O que poderia acontecer durante este projecto/ este tempo em que estamos juntos, que te faria, com toda a certeza,  desistir dele?”

Por exemplo: Não me sentir segura/o no grupo. Ser desrespeitada/o.

Os participantes não necessitam de explicar os seus motivos em muito detalhe.

1.    

     Cada grupo faz um Pinakarri – práctica de escuta profunda.

Cada participante escreve num post-it uma palavra ou uma frase curta que reflicta as suas razões pessoais. Em cada post-it coloca-se uma 

resposta à pergunta geradora.  (durante 6 min (2 min para cada post-it))

2.    Quando todos terminarem, o grupo junta-se e pratica Pinakarri. 

3.     Os participantes formam  duplas e partilham os seus motivos, lendo o que escreveram nos post-its. (durante 2 minutos)

4.     Depois em círculo maior, os participantes partilham as suas razões pessoais que os levaria a sair do grupo. Todos os participantes são convidados a utilizar a Comunicação Carismática nas suas partilhas. Todos os motivos são aceites e válidos. É importante que fique claro para o grupo, o que cada obstáculo significa, de uma forma sucinta, sem entrar em paralisia por análise: por exemplo um apego excessivo nos vários significados etimológicos de uma palavra. (5 minutos)

5.   

          Após as partilhas convida-se os participantes a agruparem os post-its por temáticas num quadro ou flip-chart. O grupo pode nomear uma pessoa para facilitar a organização dos temas. Este processo é feito em silêncio. A única excepção seria no caso de o facilitador não entender o que foi escrito e necessitar de clarificação. 

6.    O facilitador faz um círculo à volta dos post-its com o mesmo tema. Procura ter no máximo 6 temas. Estes obstáculos mostram o que não queremos que aconteça em termos de comportamento de grupo. Este conhecimento aumenta a  consciência do grupo sobre si e das suas necessidades. Após a organização dos temas, o facilitador recebe feedback e sugestões do grupo.

7.    

     Nesta fase criamos um mantra positivo para cada um dos obstáculos temáticos. Por exemplo se o obstáculo for “Eu saio do grupo se alguém usar uma linguagem ofensiva dirigida à minha pessoa” O mantra poderia ser: Comunicamos de forma respeitosa com todos os membros da equipa”.  A frase do mantra[5]mostra o que vamos fazer para garantir a segurança, respeito confiança no grupo. Pode ser uma frase que começa com: Nós vamos…. 

“apoiar uns aos outros nas aprendizagens, crescimento e mudanças”, “abordar os conflitos com um espírito investigação”; 

“escutar primeiro mesmo quando não concordamos com o outro”; 

“dar apoio emocional uns aos outros nos momentos de crise dentro e fora do grupo”. 

 

Para a criação do mantra formamos duplas que selecionam um ou mais  temas obstáculo e, criam um  mantra inspirador para cada obstáculo (durante 5 minutos).

 

Em alguns grupos tenho sugerido a criação de uma mandala que represente todos os mantras ou a criação de uma canção, um mural ou mesmo um haka[6]positivo. Os mantras também podem ser escritos em cartões e espalhados pelos vários espaços do projecto. Opcionalmente, podemos também criar um guardião para cada mantra que tem a função de relembrar a cultura e os valores do grupo no início do dia ou nos momentos importantes.

 

 

NOTAS ADICIONAIS:

 

Tal como no círculo dos Sonhos estes acordos podem ser revistos de tempos a tempos. Quando novos membros se juntam ao projecto estes acordos devem ser apresentados e dada a possibilidade aos novos membros de contribuírem; identificando o que os faria sair e criando novos mantras positivos.

Também é possível criar mantras que não tiveram origem em bloqueios, mas que o grupo considera importante.Talvez um valor importante que esteja reflectido no Círculo dos Sonhos. O número máximo mantras deve ser acordado pelo grupo. Em alguns projectos tenho trabalhado  com um número entre 5 a 7 mantras e  observado que são suficientes para criar um bom ambiente de grupo.

 

MIA MIA INDIVIDUAL

 

O Mia Mia pode ser um exercício feito individualmente. Usando o nosso corpo como abrigo temporário podemos explorar: Como estou a cuidar de mim? Quais são os limites da minha resiliência? E da minha paciência? Como estou conectado com a minha fonte de criação? O que me tira energia? O que me faz desistir? E que mantra positivo posso criar que faz o meu coração vibrar?

Desta forma contribuímos para o nosso crescimento pessoal e aumentamos a nossa consciência sobre como estamos – tal como fazemos no check-in – e como gostaríamos de estar.

 

 

MIA MIA EMBODIMENT

 

Os obstáculos que identificámos e os mantras podem ser traduzidos através de movimentos corporais. Este processo ajuda os participantes a explorarem insights subtis que o nosso corpo nos pode oferecer e a trazer mais clareza para si e para o grupo.

 

Processo: 

Os participantes escolhem um obstáculo: resposta à pergunta geradora: O que me faria sair deste projecto? Praticam Pinakarri e depois exploram através do movimento: Como é a sensação desse obstáculo no seu corpo? Onde o sentem mais presente. Qual seria a representação física de uma intensidade elevada deste obstáculo? Como representaria uma intensidade baixa deste obstáculo? Onde representaria e como representaria como sentem este obstáculo, agora, neste momento?

 

Estas perguntas são feitas por um facilitador. É importante dar algum tempo para cada pergunta seja expressa pelo corpo do participante.

 Na segunda fase, os participantes escolhem um mantra de resposta à pergunta O que me faria ficar neste grupo? Exploram como é a sensação desse mantra no seu corpo? Onde o sentem mais presente? Como representariam fisicamente uma maior intensidade deste mantra? Como representariam uma intensidade baixa deste mantra? Onde representariam e como representariam como sentem este mantra agora neste momento?

O processo é feito em círculo. E os participantes entram no círculo à vez, fazendo as representações físicas de um obstáculo e de um mantra com as suas várias intensidades. 

Os restantes membros observam e praticam Pinakarri.

Todo o processo de exploração é focado na presença e na escuta da inteligência do corpo. É necessário um estado de presença e reverência para todas as emoções e expressões físicas.

O processo termina com um círculo de partilha: Descobertas e confirmações.

 

A IMPORTÂNCIA DA PRÁTICA

 

O Mia Mia difere dos acordos gerais de grupo muitas vezes conduzidos por um facilitador. Ele pretende empoderar os grupos a criarem as suas próprias estratégias e a serem responsáveis pelos seus resultados.Os conflitos e momentos que desafiam a comunicação dentro do grupo são parte do seu crescimento e um convite a explorar uma terceira alternativa ganha-ganha. Só a criação do mantra não garante a resolução destes desafios. Quando temos uma intenção necessitamos de estruturas que apoiam a nossa intenção: Como lidamos com o conflicto quando ele surgir? Como posso ser autêntico sem suprimir a conexão e a relação com o outro?  É necessário trazer os mantras para a nossa prática diária. Podemos ver esta práctica como um ritual de cuidado que ajuda a regular emoções, dar motivação para alcançar objectivos e reforçar a coesão social. Ganham significado a cada vez que são repetidos pelo grupo.Ao longo do tempo, cada membro desenvolve uma sensibilidade para o que faz, algo que não pode ser aprendido lendo.É um conhecimento tácito, que para ser desenvolvido requere uma experiência directa com a actividade. Quando é  desenvolvida em contexto de grupo emerge uma profunda sensibilidade no espaço colectivo. Cada membro tem uma noção ou intuição do que o outro membro vai fazer, tal como acontece nas grandes equipas.

 

  

 

Exemplos: 

1.    No momento de check-in em grupo ou no momento de revisão do dia, olhamos para os nossos mantras e reflectimos se estão claros para todos e de que forma foram honrados pelo grupo. Podemos dar exemplos do que observamos acontecer no grupo e como nos sentimos, pois reforça a confiança e coesão. Esta prática é uma forma de celebração e fortalece o tipo de comportamento que o grupo quer ver acontecer mais vezes. 

2.    Identificamos o mantra e damos um exemplo de uma prática individual ou de grupo que observámos. “João, quando escutaste cada participante num momento de caos e ajudaste o grupo a pensar de forma criativa, isso teve um impacto em mim, fez-me me sentir que somos importantes. Por isso, decidi praticar a escuta profunda mais vezes durante as nossas reuniões” Este é um bom exemplo do nosso mantra: Escutar para entender e encontrar soluções ganha-ganha.

 

 

MIA MIA E A PRÁTICA R.A.I.N.

 

Nos cursos de Dragon Dreaming recomendamos a práctica do Pinakarri: a escuta profunda de nós mesmos, dos outros e do nosso planeta.

Esta conexão traz-nos um nível de presença que nos ajuda a estar conectamos com o que somos e queremos ser a cada momento.

 

Recentemente tenho reconhecido a eficácia da práctica R.A.I.N. no reforço do que se passa com as nossas emoções e no reforço da descoberta da nossa verdade mais profunda.

Em situações de tensão por vezes julgamos negativamente os outros. No contexto de um conflito em grupo, por vezes é útil, reflectirmos antes de julgarmos: Identificamos 3 razões que levaram a outra pessoa a pensar ou a agir daquela forma que nos parece diferente da nossa. Esta exploração ajuda-nos a experienciar uma mudança de energia no nosso corpo e na nossa perceção. Passamos a sentir melhor quais são as necessidades não preenchidas que não foram comunicadas. Pois sabemos que quando as nossas necessidades não são preenchidas, tendencialmente, agimos fora da nossa natureza e jogamos ganha-perde

 

Processo R.A.I.N. 

 

A práctica R.A.I.N.[7]foi desenvolvida pela autora e professora de meditação Tara Brach. Podemos iniciar com um Pinakarri e depois seguir os passos:

 

Reconhecer: Explorar o que está a acontecer a um nível mais profundo com as minhas emoções. O que estou a sentir internamente, neste momento? Focamos a nossa atenção nas nossas emoções, pensamentos e sensações físicas. Sem avaliar ou ideias pré-concebidas, mas de coração aberto e com curiosidade.

Aceitar que a experiência aconteça aqui e agora, tal como ela é. Consentir que as emoções e sensações estejam presentes. Consentir ajuda a aliviar e a curar. 

Investigar com interesse e cuidado. O que necessita de maior atenção? Qual é a minha crença por detrás deste sentimento? O que este sentimento tem para me ensinar? Colocando de parte certezas e a necessidade de resolver.

Nutrir com auto-compaixão. Explorar o que está a acontecer a nível mental, físico e ao nível do coração? Qual é a minha verdadeira natureza? O que procuro que é o mesmo que o outro? Qual é a minha necessidade que é a mesma que o outro?

 

A pratica também pode ser feita ao nível externo, na forma como nos apresentamos, na linguagem corporal que utilizamos e na nossa comunicação verbal. É um convite a explorarmos como podemos walk the talke ser embaixadores dos valores e mantras do projecto dentro e fora do grupo.

É da prática continuada com reflexão que desenvolvemos as competências de ganha-ganha, inteligência emocional para que os grupos e comunidades que criamos sejam exemplos do futuro que queremos ver.

 

 

ALERTAS

 

1.    Um Mia-Mia significa também um espaço que reforça os princípios e práticas do Dragon Dreaming: Crescimento pessoal,Fortalecer grupos e comunidades, Ganha-Ganha-Ganha, Linguagem Carismática, Escuta profunda,  Aha´s. Estes elementos são essenciais para evitar a punição ou uma linguagem ganha-perde quando algum acordo não é cumprido por elementos do grupo.

2.     Gostaria de reforçar a importância do revistar e relembrar estes acordos diariamente e trazê-los para a prática.

       A autora Joanna Macy sugere dois níveis de consciência importantes para cuidarmos de nós próprios e ao grupo: ser 100% observador e 100% participante. 100% observador das nossas emoções e transformações de consciência, mas também do grupo. E 100% participante no grupo nas suas acções e práticas. Estas duas práticas permitem monitorizar a qualquer momento o estado de cada individuo e do grupo.   

3.    Em 1972,  Irving Janis apresentou o fenómeno Group Think[8], um comportamento em que os membros de um grupo procuram coesão e harmonia a todo o custo. Por esta razão, evitam qualquer assunto que possa levar a uma disputa. Esta atitude leva os grupos a minimizarem os conflitos, a evitarem soluções alternativas resultando numa perda de criatividade, autonomia e diversidade de pensamento.

     No processo de criação do Mia Mia é, por isso, essencial que ao nível individual possamos considerar porque é importante para nós um determinado obstáculo ou mantra independentemente da opinião geral do grupo. Por outro lado, é necessário observar quando emergem no grupo líderes fortes e persuasivos que procuram convencer o grupo de única ideia ou solução, pois muitas vezes contribuem para o reforço do fenómeno Group Think. Trazer à consciência de grupo que o fenómeno está a acontecer, convidar a participação de todos ou explorar soluções e pontos de vista alternativos são algumas das formas de evitar que este fenómeno aconteça.

4.       

     Esquecer os acordos feitos e voltar ao ganha-perde é uma forma de sabotar o processo Mia Mia. Os mantras criados são importantes como pratica de grupo. Mostram o nível de maturidade e compromisso com uma forma de estar mais humana e evolutiva. É importante que cada membro seja um guardião do bem-estar do grupo, encontrando formas criativas de relembrar estes acordos. Ao fazê-lo o grupo reforça a confiança, a segurança, autonomia e a sua criatividade. 

 

Conheci o conceito Mia Mia através das trocas e partilhas com a treinadora de Dragon Dreaming, Annette Dolle em 2014. Desde então tenho utilizado e expandido este conceito nos cursos avançados de Dragon Dreaming em colaboração com a Rede Dragon Dreaming Brasilia e em contextos de organizações sociais. Este documento é o resultado das reflexões sobre experiências com o Mia Mia em contexto de grupos de trabalho. 

 Várias outras teorias e métodos podem ser adicionados a este processo, por exemplo, as fases de desenvolvimento de grupos de Bruce Tuckman: Forming,Storming, Norming, Performing e Adjourning[9], ou os processos da Comunicação Não-Violenta[10]trabalho desenvolvido por Dr. Marshall Rosenberg, nomeadamente a distinção entre observação e julgamento, necessidades e pedidos, entre outros.

 

 


[1]De acordo com R.Buckminster Fuller sinergia significa os comportamentos do sistema que não são previstos pelos comportamentos dos seus sub-sistemas quando separados e observados isoladamente do seu sistema.

[2]Ganha-Ganha-Ganha: Uma forma de ver o mundo,  em que todas as partes envolvidas ganham/ têm benefícios. Benefícios ao nível do individuo: novas competências, crescimento pessoal; ao nível da comunidade: mais resiliente, abundante e capaz; e ao nível do planeta: prevenindo a sua destruição e contribuindo para a sua regeneração

[3] “O nosso sentimento de pertença aos grupos pode ser dividido em duas categorias: Vínculo ocorre entre grupos homogéneos que partilham normas e valores culturais. As pessoas partilham níveis de entendimento profundos sobre o outro membro devido à semelhança que existe entre todos. Construir pontes ocorre entre grupos diversificados, o que força-nos a pensar, fora da nossa visão de mundo. Algo que pode inspirar novas ideias, informações e inovação. E pode ser fundamental para a construção de acordos entre grupos diversificados e com interesses diferentes” Excerto do livro Our search for belonging, de Howard J. Ross e JonRobert Tartaglion.   

[4]Excerto traduzido livremente e retirado do livro The different Drum:Community Making and Peace de M.Scott Peck.

[5]Na sabedoria tradicional da Índia, a repetição de sons específicos é utilizada para invocar paz, cura e trazer mudança. Os mantras, como são chamados, combinam a vibração física para a afectar de forma positiva a nossa paisagem interna e externa. 

[6]Haka são danças típicas do povo Maori. Geralmente demonstram a paixão e intimidação. É usada tanto para dar boas vindas a visitantes quanto a tribos inimigas.As palavras são utilizadas nāo só para incitar quem está a realizar a dança, mas também para recordar-se o seu comportamento correto.

[7]Adaptado de Tara Brach https://www.tarabrach.com/articles-interviews/rain-workingwithdifficulties/

  Versão Audio: https://www.tarabrach.com/meditation-the-rain-of-self-compassion/

[8]Janis, Irving L. (1972). Victims of groupthink; a psychological study of foreign-policy decisions and fiascoes. Boston: Houghton, Mifflin

[9]Tuckman, B. W. Developmental sequence in small groups.Psychological bulletin, v. 63, n. 6, p. 384, 1965

[10]Rosenberg, Marshal,B.(2003) Comunicação não-violenta: A Linguagem Da Vida, Puddledancer Press