Virgílio Varela | Testemunhos
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Testemunhos


"Entendo melhor a minha relação com o dinheiro e importância das relações reais que constroem comunidades"

"Antes de das relações com o dinheiro ou com as pessoas preciso de ter clara a relação que tenho comigo"

"Necessitava de algo assim.Estar neste circulo de sinceridade.
Hoje surgiu-me um projecto que estava há muito tempo enterrado"

"Este workshop sobre o dinheiro e angariação mexeu muito comigo por dentro e abriu-me mais possibilidades"

"Vou mais leve, aliviada. O meu grande Aha! é cuidar mais das relações, jogar mais, pois jogar permite-me sentir"
Participantes do Curso Angariação Empoderada de Fundos
Barcelona
Curso de Introdução ao Dragon Dreaming - Labs Lisboa
Um caminho, muitas viagens

O convite foi insistente, pois já há alguns meses ia arrastando o argumento com o Virgílio que participaria se estivesse próxima do local da formação. Finalmente ia acontecer um Dragon Dreaming em Lisboa, eu estava perto e as desculpas começavam a escassear. Decidi que era desta vez e “vamos lá de espírito aberto ver o que é afinal esta metodologia de desenho de projecto”.
Para aumentar o desafio, a proposta prévia foi que no final escrevesse um curto artigo sobre o curso. Bom, ou deixo ficar-me pela síntese do título e cada leitor dá asas à imaginação, ou este texto vai ser tudo menos curto. Porquê?

Porque teria de falar de todo o imaginário aborígene australiano que enquadra a metodologia, das muitas palavras novas que aprendi, como Pinakarri, Karl, Karlap, Karlapgur, Karabirrdt, algumas sendo conceitos directos, nomes aborígenes de coisas, outras exprimindo técnicas e metodologias. Teria também de falar da forma genuína que nos faz conectar tão visceralmente com tudo o que nos rodeia e como nos faz entender que somos parte de um todo.

De como é duro confrontar esse ideal de comunidade que sobrevive no deserto porque se une entre si e se alia ao ritmo da natureza, com o oposto que é o nosso dia-a-dia de competição, sobreposição e até algum desrespeito pelo ritmo natural. Ah, e por falar de ritmo, teria também que falar da importância das trilhas sonoras, histórias contadas ou cantadas que reúnem a sabedoria ancestral e são passadas de geração em geração, construídas ao longo dos tempos para guiar cada família no seu trilho, pelos seus pedaços de terra. Isto tudo sem esquecer a importância do grupo, doze pessoas totalmente desconhecidas e com quem iria fazer este caminho. Parece poético, um Dragon Dreaming, não parece? Confesso que no fim do primeiro dia, com este imaginário todo, fiz uma viagem interna com momentos AHA (o equivalente a momentos Eureka ou insights para quem preferir inglesismos), de consolidação no meu autoconhecimento. Mas o ponto de partida era aprender mais sobre uma metodologia de desenho de projecto, lembram-se? No final de sábado não parecia. A viagem tinha sido para mim, e pareceu-me que também para o resto do grupo, muito mais interna e individual do que focada num projecto concreto e o que tínhamos em conjunto eram duas folhas de flipchart que descreviam fragmentos de um sonho. Acusando já algum cansaço emocional, interroguei-me se conseguiríamos chegar a algum resultado concreto no dia seguinte. Parecia pouco provável. No domingo de manhã voltámos a sentar em círculo e a decisão foi seguir disciplinadamente a proposta do facilitador, focando-nos nas técnicas e processos do Dragon Dreaming, o que exigia passar do SONHO para o PLANEAR e deixar-nos prontos para o FAZER. Não sei explicar o que se passou. O dia voou, primeiro com alguma explicação teórica sobre os passos a seguir, mas sobretudo com muita prática. Não consigo transmitir tudo, porque a dada altura foquei-me em fazer aquilo que achei ser o meu contributo para o grupo. Talvez cada um de nós se tenha perdido naquilo que sabia fazer e acreditava ser o seu contributo para o grupo.

O caos que tanto tinha sido falado no primeiro dia estava a acontecer na prática. Consigo resumir a minha experiencia desta forma: senti que era criança outra vez e tive que reaprender a brincar. Isto literalmente, pois deram-me plasticina, marcadores, folhas e outros materiais para trabalhar. Manipular estes materiais liberta-nos da mente e coisas que não imaginamos aparecem das nossas mãos. No final, as duas folhas de flipchart estavam concretizadas à nossa frente. Era um protótipo, claro, mas o sonho materializou-se. Fantástico. Fica muito, mas mesmo muito, por contar. A criação de um espaço de confiança que permite estabelecer relações mais genuínas alimentaria muitas histórias. O significado do nosso sonho conjunto outras tantas. Mas isso fica para nós, os que tivemos o privilégio de participar neste Dragon Dreaming. Se reflectir sobre as várias formações práticas que tenho feito, esta abordagem colaborativa difere das outras que são normalmente mais instrumentalistas, e surpreende por ser, no mínimo, tão eficiente quanto essas. Suspeito até que é bem mais eficaz. O fascínio do Dragon Dreaming é esse. Seguindo o ritmo natural que emerge do grupo criamos o nosso próprio caminho e alcançamos o objectivo proposto. É orgânico, não é geométrico ou linear, exige um grande nível de confiança no processo, mas o facto é que chegamos lá, e o resultado é muito mais rico do que individual e inicialmente podíamos imaginar.
Filipa 20 Março 2017
Filipa- Participante do Curso de Introdução ao Dragon Dreaming
Investigadora